18 de jul de 2016

Objetificação do corpo da mulher

Criei este tópico mais por uma coisa que INFELIZMENTE cresce em grupos de Tight Lacing (não em todos, ainda bem):  A OBJETIFICAÇÃO.

Vejo o quanto isso pode ser danoso não só para retratar uma prática que já não se fala bem dela, como para pessoas que fazem parte destes grupos e que podem sem querer disseminar este tipo de comportamento e mensagem.


Certa vez, a dona de um destes grupos ao ler uma crítica feita por mim, da qual digo que o grupo dela apenas foi criado NÃO para ajudar outras tight lacers, mas sim para exibir o corpo dela mesma em trajes pequenos, ela veio no comentário deste blog e soltou a pérola:


SÓ PRA QUEM PODE? Oras, quer dizer que para publicar uma foto de biquini numa rede social eu preciso estar com o corpo igual o dela? Sério mesmo? Se eu não tiver sou inferior? Ah, já sei, é aquele velho discurso de letra de funk "recalque e inveja das inimigas", sério mesmo? WTF!?

Realmente pra mim, que estou há anos participando de grupos de Tight Lacing, é MUITO TRISTE hoje em dia ver alguém que é "dona" de um grupo sobre a prática ter este tipo de pensamento medíocre. Pensamento este que pode INFELIZMENTE contagiar membros que não tenham um pouco mais de informação do quanto isso pode ser danoso para a auto-estima de várias mulheres.

Este tipo de pensando não tem NADA A VER com o Tight Lacing. A prática ao meu ver (e de tantas outras pessoas que também trabalham com corsets) tem uma ligação com a aceitação do corpo, algo que fará com que a lacer se sinta mais segura COM ELA mesma. O Tight Lacing é um jeito para você chegar a uma versão melhor de si mesma, até em termos de saúde, já que a prática exige este tipo de cuidado. Leia mais sobre isso aqui.

A prática do Tight Lacing em si é o que menos se fala nestes grupos, tópicos com fotos de mulheres esteriotipadas e hipersexualizadas (sempre de lado, pois mal sabem que cintura se vê de frente) é o que toma grande parte do "conteúdo" nestes grupos. A preocupação com o que o  "BOY" vai achar é maior do que elas mesmas querem para si. E se alguém tiver uma opinião contrária de "VOCÊ É UMA DIVA" sobre uma foto deste tipo, seu comentário é sumariamente deletado, ou como de praxe, você é a "inimiga" da vez, você é recalcada e invejosa por ter dito algo contrário das demais.


Encontrei um texto bacana e de fácil entendimento sobre a OBJETIFICAÇÃO DO CORPO DA MULHER e achei interessante trazer trechos deles para este blog, assim, se você cair aqui poderá identificar certos comportamentos de pessoas que muitas vezes nem se dão conta do quanto sucumbiram a este tipo de discurso e não tem ideia do quanto ele pode ser danoso a quem não tem muito acesso a informação.

Vamos aos trechos do texto, que você pode ler na íntegra aqui:


Quando falamos de objetificação do corpo feminino estamos nos referindo à banalização da imagem da mulher, ou seja: a aparência das mulheres importa mais do que todos os outros aspectos que as definem enquanto indivíduos.

A objetificação está presente nos mais diversos setores da sociedade. Um exemplo clássico é a forma como a mulher é retratada em peças publicitárias.

A nossa sociedade do início do século XXI entendia o homem como provedor e a mulher como dependente dele. A cultura patriarcal refere-se ao comportamento esperado das mulheres nesse contexto em que elas eram economicamente dependentes dos homens. O “contrato tácito de troca” previa que as mulheres, por serem sustentadas pelos maridos, cuidassem dos afazeres domésticos e os satisfizessem sexualmente.

Atualmente, por mais que as mulheres tenham alcançado mais independência financeira, uma das características da cultura patriarcal que ainda permanece é a objetificação do corpo feminino, uma vez que essa objetificação está intimamente ligada à função do corpo da mulher enquanto mero objeto de prazer sexual masculino.

A objetificação do corpo feminino tem várias consequências danosas. A primeira delas é a estereotipação da mulher e o estabelecimento de padrões estéticos irreais. Uma vez que o julgamento inicial de uma pessoa se dá pela aparência, existe uma expectativa do que é bom ou ruim, certo ou errado e, consequentemente, a exclusão e depreciação de mulheres que não atendem a esses padrões. Muitas vezes, vemos em ambientes familiares ou profissionais mulheres sendo hostilizadas pelo seu peso, altura, cabelo, depilação, formato de corpo e demais atributos físicos.

Outra consequência danosa desse fenômeno é a auto-objetificação da mulher. Mulheres que vivem em ambientes de objetificação tendem a se auto-objetificar e também a objetificar outras mulheres, sofrendo, assim, danos de autoestima e de socialização. Em pesquisa publicada na Psychological Science em 2013, sugeriu-se que mulheres que apresentam altos níveis de auto-objetificação tendem a ser menos ativas socialmente.

Por que a mulher se auto-objetificaria? Quando lembramos que parte da cultura patriarcal compreende a satisfação sexual que a mulher precisa dar ao homem, o impacto disso no comportamento de muitas mulheres é de se empenhar em tornar seus corpos sexualmente atraentes para os homens em detrimento de suas próprias expectativas. Enxergar seu próprio corpo e o corpo de outras mulheres como objetos de satisfação do desejo sexual masculino é parte do processo de auto-objetificação.

E o que ativismo social tem a ver com isso? Ora, como explicamos no início, se a objetificação consiste em desconsiderar atributos psicológicos e emocionais que nos caracterizam enquanto indivíduos, a mulher que se auto-objetifica não se compreende totalmente como um indivíduo e não se dá conta de todas as suas capacidades e possibilidades, o que influencia no seu grau de engajamento como profissional e cidadã.

Combater a objetificação é, portanto, mostrar para as mulheres que elas são indivíduos completos e capazes, que podem ser muito mais do que objetos de prazer masculino. O primeiro passo para isso é identificar atitudes que reforçam essa cultura e combatê-las no dia a dia.


E já fica dica, CUIDADO com quem usa de grupos para incentivar o uso de substâncias proibidas ou mesmo que causam necrose na pele (aquelas substancias industriais que usam para preenchimentos grotescos) muitas vezes tornando o grupo apenas punhado de pessoas que apenas levam a objetificação do corpo da mulher como objetivo.

A ESTÉTICA não pode JAMAIS ser colocada acima da pessoa propriamente dita, tão pouco da sua SAÚDE.

FIQUE ATENTA!

Ah, e não se esqueça, na lateral do blog você encontra diversos links para os tópicos mais importantes, caso esteja no celular - basta clicar aqui. Todos os links estão na medida do possível organizados por nível de importância, desde coisas para saber antes de compra um corset como depois de comprar um corset, tem tudo que você precisa de informação para iniciar a prática.




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