3 de out de 2015

A influência do uso do corset na morfologia de suas usuárias no período Vitoriano

Gente, a Cristiane Tano, que faz corsets belíssiiiimosssssss em couro, compartilhou um estudo muito bacana, publicado em Setembro de 2015, no Jornal Estudantil de Antropologia do Canadá. O estudo mostra a influência do uso do corset na morfologia de suas usuárias no período Vitoriano.


O documento está em inglês, são 16 páginas com imagens dos corsets usados na época com fotos reais de costelas e da espinha dorçal (coluna) de usuárias destes corsets na época totalmente deformadas. Nesta época os corsets tinham reduções absurdas e os casos de problemas na saúde eram recorrente o que deu uma certa má fama ao corset e por tabela o Tight Lacing.


Se alguma alma caridosa fizer a tradução para o português, por favor, compartilhe com a gente, pode colocar link nos comentários. ;) **A tradução foi feita por uma alma caridosa gente, confira no final do post.

AH! Vale a pena lembrar se você ver algum médico boçal usar este estudo para polemizar sobre os corsets, não esqueça de lembrá-lo que o estudo foi feito baseado nos corsets VITORIANOS, modelo bem especifico que já na época era bem controverso por causar danos a saúde.

Confira o estudo completo, logo abaixo ou clique aqui.


Para fazer o download do estudo, clique aqui

Agora, imaginem o ESTRAGO que um corset mal feito e com redução irresponsável no tórax e na bacia não fazem numa pessoa?! Por isso gente, FIQUE ATENTA! E PARE DE PROCURAR CORSET POR PREÇO!

OUTROS ESTUDOS/ARTIGOS SOBRE TIGHT LACING
todos baseados no período Vitoriano


• Historic medical perspectives of corseting and two physiologic studies with reenactors
Em inglês - 281 páginas (bemmmmmmmm completo)

• BINDING FEMININITY: AN EXAMINATION OF THE EFFECTS OF TIGHTLACING ON THE FEMALE PELVIS
Em inglês - 83 páginas

• The Corset in Its Relations to Uterine Disease
Em inglês - de 1873

• Society, Physicians, and the Corset
Em inglês - 1979

Le Corset. Etude Historique: Histoire-Médicine-Hygiène
Em francês - 1908

The Corset: Questions of Pressure and Displacement
Em inglês - 1887

Quem dera o povo que paga pau pra "DIVA DO CORSET ATOCHADO" lesse ao menos um destes textos, teriam uma percepção maior e melhor do que excessos podem causar.

PARA COMPLETAR


• Reduções irresponsáveis das medidas do torax e bacia
• Conferindo as medidas do seu corset depois de pronto
• Você vê corsets estranhos com que frequência? O tempo todo!
O raio-x panorâmico de uma tight lacer brasileira
Uma breve historia dos corsets, seus mitos e controvérsias
Mulheres vitorianas
Uma historia indiscreta da silhueta




UPDATE 


04/10/15 - Gente, eu pedi uma alguma caridosa para traduzir em português e ela apareceuuuu \o/ A Fernanda Rosa Coelho, membro la do grupo Tight Lacing e Fitness vai traduzir o documento, ela o fez em partes, então aos poucos ele estará completo aqui no blog.  Veja abaixo parte do que ela mandou por enquanto:



EFEITOS DE UM LONGO PERÍODO DE USO DO CORSET NO ESQUELETO FEMININO: UM EXAME MORFOLÓGICO PRELIMINAR


Rebecca Gibson 
Universidade Americana 

Este estudo examina as dimensões do corset e deformações esqueléticas nas costelas em restos mortais femininos de três períodos e duas localizações para compreender a relação entre a prática do uso do corset e longevidade. Os corsets estão localizados no museu Victoria and Albert Museum, e alcançam a data de 1750-1908, enquanto restos mortais são resultado de exame do autor em coleções localizadas no Museum of London Archaeology (MoL), em Londres, Inglaterra. Uma visão anacrônica das mulheres que usavam corset postula que elas viveram vidas curtas e dolorosas. Estes restos mortais foram examinados com um olhar a frente estabelecendo que ricas ou pobres, jovens ou velhas, as mulheres que usavam corset viveram comparativamente vidas longas, e que o corset nao era, nele proprio, a sentença de morte. As descobertas indicam que embora as mulheres experimentaram deformação esquelética por causa do uso do corset, elas também viveram mais do que a idade media para a época delas.

Introdução

Dentro de cada sistema cultural, a maneira que a mulher escolhe se vestir faz uma afirmação a respeito não só a sua posição social, mas também ao jeito que ela se vê e quer ser vista. Estilos de vestir variam distintamente baseando se na disponibilidade de tecido, moda, forma de emprego, e classe socioeconomica. A pratica do uso do corset cruzou vários limites demograficos durante seus 400 anos de domínio, seguindo os caprichos da moda. Este estudo examina uma coleçãode corsets e duas coleções de restos mortais datadas de 1700-1900 da Era Comum para examinar o que pode ser sabido sobre o impacto físico do uso do corset durante essa epoca. Essa pesquisa irá questionar algumas premissas modernas feitas sobre mulhere que usavam corset usando artefatos e evidencias esqueléticas para discutir quais grupos praticaram o uso do corset e quais efeitos a pratica teve sobre seus restos físicos.

Teoria e plano de fundo

Teoria da moda

Ao inves de discutir o impacto do uso do corset, é preciso primeiro olhar o que define o corpo, onde o corpo começa, e onde fronteiras são formados com o mundo exterior. È lógico começar com a suposição de que o corpo começa na pele e o mundo exterior existe externo a este. No entanto, a pele tem a propriedade de ser semipermeável e - coisas passam por ela, por difusão ou força - e, assim, o corpo não pode ser visto como uma entidade única com nenhuma interferencia do mundo exterior (Comaroff, 1985; Douglas, 1966; Simmel, 1957; Turner, 1993). O vestuário, portanto, embora produzido pelo mundo exterior, pode funcionar como um intermediário entre o mundo e o corpo. A vestimenta pode formar uma barreira menos permeável do que ele, o que Turner (1993) descreve como a pele social. Ela pode proteger o corpo da penetração por forças externas e isso pode mostrar, simbolicamente ou na verdade, que há limites entre um indivíduo e sua sociedade. O vestuário define o corpo, dando-lhe bordas firmes e mostrando que essas arestas não estão a ser questionadas, empurradas ou penetradas (Entwistle, 2000, p. 4-16). O vestuario tambem define o corpo socioculturalmente, mostrando onde o usuario fica na sociedade. È estabelecido que muitas coisas – o tipo de vestimenta que alguem pode pagar, o estado de conservação e elegância do material, corte, cor, e a moda que é adotada – demonstra riqueza ou pobreza, habilidade com moda ou falta de conhecimento social. As roupas não fazem apenas a mulher/homem, mas materializam a posição da pessoa também. È facil o suficiente, portanto, usar roupas da moda, estilo e tecido para ler o passado em busca de informação sobre as decisões tomadas durante o curso da história (Entwistle, 2000).

Os corsets e sua história

Se frontal curvo ou frontal em linha reta, feito de couro ou cetim, ou concebido como uma roupa íntima ou como a peça central de um enxoval, o corset fornecia o perfil da moda do dia. A partir de 1600 como um conjunto de Stays - materiais rígidos que formavam a frente de um vestido – os espartilhos eram usados para dar formato a roupa, e pela extensão do corpo, em formas desejáveis (Bendall, 2014). Os espartilhos ou barbatanas eram usados em bolsas formadas que se estendiam desde a gola até a pelvis e eram anexadas por fitas ao vestido da mulher em uma extremidade (Bendall, 2014). Mulheres de todos os grupos socioculturais poderiam usar este, uma vez que poderia ser feito a partir de materiais facilmente disponíveis incluindo couro endurecido, madeira, ou papel grosso (Bendall, 2014).

Como a moda evoluiu, o Stay tornou-se a fachada do corset, o que poderia ser usado como uma roupa de baixo ou sobre a chemise ( N.do T.: chemise era um vestido pendurado em linha reta dos ombros para dar uma forma uniforme) para realizar um completo enxoval unido, ou ou construído em um vestido de modo que o vestido em si atuou como seu próprio apoio. (Bendall, 2014; Lauder, 2010; Seleshanko, 2012; Steele, 2001; Fontanel, 1992). Mesmo durante o início de 1800, quando o olhar neoclássico estava na moda na Inglaterra e na França, (Lord, 1868; Perrot, 1994), as mulheres usavam espartilhos para ajudar a moldar seus corpos longe da natureza e em direção a uma forma ideal mais "civilizada" (Lord, 1868). Por causa desse ideal, o uso do corset cruzou linhas demograficas e era esperado de quem desejasse ser recebido na sociedade civilizada, independentemente da sua situação socioeconômica (Bendall, 2014; Lord, 1868; Steele, 2001). Os corsets poderiam ser formados de tal maneira que eles nao requeriam inserir barbatanas, estando disponíveis para qualquer mulher com uma agulha e linha (Bendall, 2014; Lord, 1868; Steele, 2001).

Alguns corsets no museu Victoria and Albert Museum mostram evidencias de terem sido comprados em segunda mão e alterações após a compra, como rendas para cobrir áreas especialmente desgastadas. Nem mesmo as mulheres grávidas escaparam da necessidade de estar dentro do corset; corsets especiais eram feitos para serem usados por mulheres que estavam grávidas ou amamentando, com reforços laterais ou pressões especiais sobre os seios para acomodar as mudanças de suas formas, enquanto permitia-lhes ainda seguir a moda da epoca (Victoria & Albert, 2013) (Figura 1).

Figura 1. Corset para gravidas e mulheres amamentando da Victoria and Albert Collection.
Corsets usados durante os duzentos anos em análise neste artigo consistiam de Stays, barbatanas e reforços contidos em uma peça de vestuário de várias formas, uniformemente mais fino na cintura do que nos seios ou quadris (Victoria & Albert, 2013) (Figura 2). Variações nesse modelo básico incluíam alças de ombro, ganchos ou clips, painéis que poderiam ser inseridos ou removidos para acomodar a gravidez, o bustier, o qual não cobria o abdome ou quadris, e o waist cincher, que se ajustava ao redor da cintura, mas não cobria os seios ou abdômen. (Figura 3).

Figura 2. T.90&A-1984: Overbust corset da Victoria and Albert Collection, sarja de algodão. CB 71 cm, CW 48 cm, CH 71 cm.
Figura 3. Underbust corset da Victoria and Albert Collection, seda azul, ganchos de metal, furos de metal para amarração.
Uma mulher usaria seu corset para quase sua vida inteira. Desde a mais tenra idade as crianças do sexo feminino foram colocadas dentro de corsets e definidas por eles (Kunzle, 2004; O’Followell, 1908; Steele, 1985, 2001; Summers, 2001). Um anúncio em O’Followell’s (1908) afirma que “corsets pour Enfants & Fillettes” ( corsets para crianças pequenas e jovens garotas) eram encontrados a venda em uma loja em Paris (Fontanel, 1992). Até a idade que muitas mulheres casavam, nos seus precoces - até meados – vinte anos na Inglaterra e França durante grande parte do Século 19 (Davidoff & Hall, 1987/2002; Weber, 1976), a deformação do corpo pelo corset estava a caminho. No entanto, esta peça de vestuário poderia também ser prescrita para funcionar como um dispositivo médico corretivo.

Corpo das mulheres: (de) e (re)formados

Durante os 200 anos do período em consideração, França e Inglaterra foram submetidas a considerável convulsão social. Ambos viram a expansão de seus impérios, a consolidação imediata de seus territórios, múltiplas guerras e revoluções, a industrialização, a criação da teoria dos germes e teoria racial, e, claro, os escritos de Karl Marx e Sigmund Freud. A França mudou de um sistema feudal para um sistema de sufrágio limitado onde mulheres foram consideradas cidadãs – não cidadãs completas, pois não podiam votar, mas limitadas ou cidadãs “silenciosas” - que tinham direitos humanos que precisavam ser considerados. A Inglaterra também viu o sufrágio limitado para proprietários de terras, o qual até o final do século 19 incluiu algumas mulheres. O que não se alterou era o desejo de moldar e formar os corpos das mulheres através do uso corset.

No entanto, o que permanece na disputa é quem é o dono desse desejo, que instigou o controle sobre os corpos das mulheres, e para que finalidade. Enquanto as sociedades Inglesas e Francesas durante esse período são consideradas patriarcais, é preciso ter cuidado para não tirar completamente as mulheres de autonomia, da atuação em suas escolhas de roupas, e uma ativa e participativa subjetividade. Nas palavras de D. O. Teasley (1904), uma mulher escrevendo por e para outras mulheres, "Pela minha parte eu não posso (sic) ver por que o tigh lacing foi inventado. Homens, como uma regra, especialmente os homens de bom senso, não admiram cinturas finas " (p. 101). A importância desta implicação não pode ser negligenciada quando se discute corsets; mulheres, Teasely (1904) implica, estavam escolhendo controlar seus próprios corpos, até o ponto de auto-mutilação.

Teasley (1904) continua a comparar a mulher perfeita com as linhas clássicas da estatuária grega e romana, observando, "Nem a natureza nem arte sugeriria o formato doente das mulheres elegantes. A deusa Venus (sic) Medici, uma estatua antiga, é considerada o mais perfeito modelo da forma feminina e tem sido a admiração (sic) do mundo durante muitos seculos” (p. 102). Ela não esta sozinha nisso. O’Followell (1908) discute uma ideia similar:

"Vemos a Vênus de Milo, a achamos razoavel e bonita, mas se ela estivesse vestindo os estilos atuais, certamente você iria vê-la feia, para as roupas de hoje o tamanho não caberia nela. Você admira a Vênus de Milo, e você admira a mulher pequena de hoje, no entanto, se a mulher pequena estivesse sem a roupa dela, que você seria obrigado a concluir que ela deve ser feia porque ela não se assemelharia a Venus" (p. 239).

Aqui, O’Followell (1908) é um homem que fala ostensivamente para outros homens, mas também de alguma maneira para as mulheres. Ao analisar de perto o seu capítulo introdutório, vê-se um apagamento da voz feminina e um deslocamento de culpa, em relação aos seus problemas de saúde e a sua forma antinatural, pela mulher usar um corset mal feito ou que não cabe direito no corpo. (O’Followell, 1908, p. 1-16).

Ao corset é dado todas as ações agentivas, como atrofias, contrações, degenerações, coberturas, cortes, reformas, moldes, prensas e causas (O’Followell, 1908, pp. 1-16). No entanto, escrevendo 40 anos mais cedo, Lord (1868) fornece cartas escritas por mulheres que defendem moda e condenam a prática de comparar vestidos modernos com os antigos. Estas cartas também são mencionadas pelos teóricos modernos, e muitas vezes são descartadas como fantasia, ficção, ou fabricação que pretendia aumentar leitores, apesar do fato de que eles claramente e concisamente prenunciam os sentimentos de ambos, mulheres e seus médicos. (Kunzle, 2004; Steele, 2001). Em relação a uma carta, extraída em seu livro, Lord (1868) escreve:

"tem sido muito da moda entre aqueles que têm escrito em condenação ao uso do corset contrastar a figura do Venus de Medici com a de uma senhora elegante dos dias de hoje ... nenhuma falácia pode ser maior do que a aplicar as regras da arte antigas aos figurinos modernos" (p. 180)

Como se pode ver a partir dos exemplos acima, as mulheres por si mesmas usaram, defenderam, e criticaram o uso do corset, e os homens muitas vezes interpretaram e disseminaram a literatura a respeito da prática. O que essa visão não tinha, e este estudo procura retificar, é duplo. Em primeiro lugar, as vozes das mulheres pobres estão em falta, tanto dos estudos modernos e dos relatos escritos. Em segundo lugar, a evidência existente que o uso do corset foi inerentemente e completamente prejudicial vem de hiperbólicas e não confiáveis contas dos médicos (Kunzle, 2004; O’Followell, 1908; Steele, 1985, 1996, 2001; Summers, 2001), e, como tal, isso não pode ser verificado usando a literatura sozinha. A fim de construir uma imagem mais completa da vida de uma mulher que usava corset, o pesquisador olhou para ambos os restos dos esqueletos e corsets. Enquanto uma grande quantidade de literatura foi acumulada sobre a vida das mulheres na Inglaterra e na França a partir de 1700- 1900 da Era Comum, documentando tanto suas próprias palavras e as palavras dos outros (Berlanstein, 1984; Davidoff & Hall, 1987/2002; Hunt, 1984; Kunzle, 2004; Lord, 1868; Matthew, 2000; O’Followell, 1908; Perrot, 1994; Steele, 1985, 1996, 2001; Stone, 1977; Summers, 2001; Teasely, 1904; Weber, 1976; Woloch, 1994), nenhum trabalho moderno examina os efeitos fisicos do uso do corset sobre as costelas e vértebras, nem correlaciona estes efeitos com a média significativa de idade na morte. Isto indica a necessidade de uma discussão sintética e nuances de como o uso do corset afetou o corpo das mulheres, incorporando idéias sobre a morfologia do esqueleto e vida útil.

[ Para baixar esta primeira parte da tradução, clique aqui. O link vai pro documento dentro do grupo no Facebook ]

Assim que estiver pronto o restante vou completando por aqui... (update: pessoal a moça que traduziu parte não mandou mais nada e realmente tenho preguiça absurda de traduzir textos ainda mais complexos assim, desculpem o transtorno, ficarei devendo...)




1 comentários:

Bella. disse...

Muito bom!

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