27 de fev de 2008

Lindas e insinuantes

Elas inverteram os padrões de beleza e mexeram com a cabeça dos homens graças ao erotismo pouco explícito. Hoje, garotas ultra-modernas revivem o legado de atitude e sedução deixado por mulheres que nasceram do papel

Coxas grossas, seios fartos e cinturinha de pilão. Longe das pressões de magreza sugeridas pelo mundo da moda, elas exibem formas generosas. São elegantes, embora costumem trajar apenas meias-calça e corpetes com decotes bastante sugestivos. São as pin-ups, por vezes chamadas de garotas de calendário. Cheias de charme e sensualidade, essas mulheres elevaram os conceitos de erotismo e têm influenciado uma nova geração feminina que deseja trazer o mistério de volta à sensualidade.

Falar sobre as pin-ups é voltar ao fim do século 19, época em que o teatro de revista transformava dançarinas em estrelas, fotografadas para revistas, anúncios, cartões e maços de cigarros. Em Paris, dois artistas, Alphonso Mucha e Jules Cheret, criaram as primeiras imagens de mulheres em poses sensuais para pôsteres, com trabalhos marcados pela presença de contornos e detalhes.

A arte dos pôsteres virou escola e influenciou artistas até as primeiras décadas do início do século 20, quando os calendários também passaram a trazer desenhos de mulheres com silhuetas idealizadas pela imaginação masculina da época. E é justamente a partir do ato de pendurar ilustrações nas paredes que o nome pin-up surgiu.

Foi na década de 40, contudo, que as pin-up girls (ou "garotas penduradas") viveram o auge do sucesso. Numa época em que mostrar as pernas era atitude subversiva e ser fotografada nua, atentado ao pudor, lápis e tinta davam forma a essas mulheres, carinhosamente chamadas de "armas secretas" pelos soldados americanos - na Segunda Guerra Mundial, elas serviam de alívio para os pracinhas que arriscavam a vida nos campos de batalha.

Atitude pin-up
O conceito das garotas pin-up era bastante claro: eram sensuais e ao mesmo tempo inocentes. A verdadeira pin-up jamais poderia ser vulgar ou oferecida, apenas convidativa. Asseguradas pelos traços sofisticados vindos da art-nouveau, elas vestiam peças de roupa que deixavam sutilmente à mostra suntuosas pernas e definidas cinturas. Era o bastante para alimentar a fantasia dos marmanjos.

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Das ilustrações de papel, as pin-ups logo ganharam vida ao serem encarnadas por atrizes como Betty Grable e Marilyn Monroe, ou fotografadas por modelos voluptuosas como Bettie Page, também chamada de "rainha das curvas". Vestidas de coristas, marinheiras, enfermeiras e outros uniformes-fetiches, que por vezes incluíam muito couro e tiras, as pin-ups de carne e osso fizeram tremendo sucesso em revistas como a americana Esquire e filmes como o "Pin Up Girl", de H. Bruce Humberstone, estrelado por Grable. Elas também garantiram a apreciação de uma beleza e de um corpo feminino possível a outras mulheres, além do reconhecimento mundial do estilo pin-up de encarar a sexualidade com naturalidade e bom humor.

Betty Grable

E se a partir dos anos 70, a indústria do sexo passou a desmanchar a aura misteriosa dessas mulheres, graças a filmes pornográficos e revistas de nu feminino, o erotismo não-explícito encontra lugar no século 21. Rock, glamour e internet agora se misturam na vida das pin-ups modernas.


As novas pin-ups

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Missy Suicide


Referência no mundo da moda, no cinema, nos traços, nos trejeitos e em tudo que diz respeito à sensualidade, as pin-ups estão em evidência. A diferença é que agora estão na internet. Garotas normais, elas assumem o próprio corpo e mostram-se sensuais sem apelar para conceitos pré-estabelecidos de beleza - não à toa, algumas exibem tatuagens pelo corpo, piercings, maquiagem bem carregada e, por que não?, uns quilinhos a mais. É o que a americana Missy (ela não revela a real identidade), 28, chama de "garotas suicidas".

Fundadora do site Suicide Girls, Missy adianta que as novas pin-ups não são nada mórbidas. O termo, na verdade, foi tirado do livro "Sobrevivente", do escritor Chuck Palahniuk, e adaptado por ela para denominar as garotas que exibem suas fotos no portal. Missy explica: "Ser uma ´garota suicida´ é uma questão de atitude! Temos muitas garotas no site que não têm o cabelo pintado ou modificações no corpo, como tatuagens e piercings. A beleza vem de dentro e ter confiança definitivamente ajuda muito. Eu diria que as ´garotas suicidas´ são as mais arrasa-quarterões e as mais descoladas do planeta. Elas sabem quem são e como são, e não têm medo de serem elas mesmas".

No ar desde 2001, o SuicideGirls.Com tornou-se referência mundial na divulgação dessas mulheres. Com milhares de visitantes por mês, reúne mais de mil garotas, cujas fichas trazem perfil pessoal, vídeos e ensaios fotográficos (por vezes produzidos pelos próprios membros). É uma espécie de Orkut das pin-ups modernas. "As fotos do Suicide Girls são definitivamente pin-up, embora o site não seja apenas sobre isso. Temos uma comunidade bastante ativa, em que os visitantes fazem amigos e conhecem outras pessoas baseadas em interesses comuns. Eu amo fotografias de pin-ups, acho que é uma forma muito poderosa e bonita de representar as mulheres. No site, eu simplesmente adaptei o estilo clássico das pin-ups para as garotas de hoje", conta.

No Brasil, um projeto parecido entrou no ar em setembro de 2004: o Pin Me Up. Criado pela fotógrafa e editora Joana Mazza, 30, o site publica ensaios fotográficos (até agora, são 31 pin-ups) e oferece aos visitantes cadastrados álbum de fotos e espaço para publicação de perfis. "O site parte da idéia da pin-up moderna e da discussão do que representa a sensualidade hoje em dia. Percebemos que no Brasil falta espaço para o imaginário e a fantasia no que se refere a este assunto", afirma Joana, responsável pelas fotos de parte dos ensaios divulgados. Com quase 40 mil visitas por mês e mais de mil membros cadastrados, o Pin Me Up abre espaço para mulheres de todo Brasil, e já conta até com garotas de países latinos.

Moda pin-up
Fã das Bettys Page e Grable, além das eternas divas de Hollywood Ava Gardner e Rita Hayworth, a publicitária carioca Ana Bandarra, 27, criou no ano passado a marca de roupas femininas Voodoo Doll. Com peças para o dia e para a noite, Bandarra desenha saias, vestidos, biquínis e corpetes que, como ela mesma conta, são mais do que peças inspiradas no vestuário pin-up: "É uma reprodução, de fato. A pin-up é sexy sem ser vulgar, não tem a neurose da estética da magreza e não precisa mostrar tudo para mexer com a imaginação dos homens. Tenho a impressão de que essas mulheres se divertiam muito mais".


Ana Bandarra, estilista da Voodoo Doll. Foto: Edu Vila Maior.

As clientes da Voodoo Doll são mulheres jovens, de 20 a 30 anos, que buscam personificar as clássicas pin-ups. Fãs de rock dos anos 50, consomem produtos retrô - filmes, discos, móveis -, e não saem de casa sem deixar a sobrancelha bastante arqueada, as unhas com esmalte bem vermelho e a franja curta e estranhamente cortada. "Elas se identificam mais com a Bettie Page do que com a Kate Moss, então querem vivenciar um pouco daquele estilo de vida", resume Bandarra.

Pelo visto, em tempos de silicone, botox, lipoaspiração e Photoshop, encarnar a "rainha das curvas" é mesmo uma boa idéia de diversão.

autora: Pamela Cristina Leme
fonte: http://www.guiadasemana.com.br



Como eu gosto de pin ups e acho que tem tudo a ver com corset, resolvi publicar esta matéria por aqui, eu particularmente sou mais as pin ups das antigas.....mas gosto é gosto ;) e repetindo o que a moça disse na matéria:

"...A pin-up é sexy sem ser vulgar, não tem a neurose da estética da magreza e não precisa mostrar tudo para mexer com a imaginação dos homens..."
....e pra quem curte pin ups você pode encontrar bastante ilustrações no site The Pin Up Files




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